No
âmbito da Unidade Curricular Língua Portuguesa e Tecnologias de Informação e
Comunicação, foi proposto aos alunos, uma reflexão sobre a ligação e as potencialidades das
novas tecnologias para uma melhor cidadania, assim como a apresentação de um
projeto real instituído por uma escola, discutindo-o de acordo com a
problemática abordada.
O fenómeno da globalização, fruto dos movimentos migratórios e mudanças
culturais, deu origem à necessidade de novas formas de comunicação, estimulando
a aprendizagem de novas línguas. O facto de existir um maior conhecimento de
culturas e línguas, torna-se necessário existir respeito e tolerância pelo
outro, fomentando a cidadania (Cardim, T. e Mendes R., pp.3). A
cidadania é vista, atualmente, como um conjunto de práticas e de competências
que cada cidadão adota, sendo elas direitos e deveres, assim como a
participação em processos políticos, económicos e sociais em que este se insere
(Lops,, P., pp 548). A noção de cidadania é ainda definida como uma
interdependência entre os países em diversas áreas, tais como a económica,
cultural, social, etc. (Lee; Fouts, 2005, citado por UNESCO, 2015, pp 14).
Existe um sentimento entre países de pertencer a uma comunidade mais ampla,
tornando-se mais fácil de interagir com os outros, respeitando os valores
universais (Marshall, 2005, citado por UNESCO, 2015, pp 14). As novas
tecnologias contribuem para a participação do exercício cívico (questões
económicas e políticas ou até causas sociais), na sociedade atual. As
tecnologias de informação e comunicação são, então, consideradas uma boa aposta
para a divulgação de problemas, pois este meio é considerado um meio mais fácil
e menos dispendioso para a troca de informações (Cardoso, S., pp 19).
Nas escolas, é importante que os alunos explorem as TIC, de modo a que
consigam desenvolver as suas capacidades de literacia. A literacia deve ser explicada
como a capacidade de interpretar algo, conseguindo selecionar o que é relevante
e de qualidade (Cardim, T. e Mendes R., pp.3), numa sociedade onde existe uma
grande quantidade de informação sobre qualquer tema. Desenvolver capacidades
importantes como esta, influencia o sucesso escolar, uma vez que a
incompreensão do que se lê ou vê acaba por se refletir no aproveitamento
escolar da criança, influenciando mais tarde na sua integração social, pois vai
exisitir uma incapacidade de resolver situações do quotidiano, tais como ler um
jornal, consultar horários, entre outros. Podemos então perceber que a
literacia permite o acesso à informação da globalização. Todavia, nem todos têm
capacidade de acesso a explorar as potencialidades das TIC. Em Portugal, muitas
escolas ainda não são financeiramente capazes de terem computadores suficientes
para o número de alunos, algumas nem chegam a ter computadores para que estes
os utilizem. As tecnologias não são só dispendiosoas em termos de materias como
também é preciso um investimento constante no softwares que vão estando sempre
a atualizar. Existem ainda escolas que, apesar de terem computadores, ainda que
poucos, e que possam ser utilizados pelos alunos, não têm acesso à internet.
Neste caso em concreto, o facto de não terem internet, impossibilita as
pesquisas que permitem o desenvolvimento da literacia nas crianças. Contudo, a
falta de formação dos professores na área das tecnologias também influencia a
utilização deste recurso, isto porque os docentes, não estando à vontade com as
novas tecnologias, preferem dinamizar as aulas com materiais que dominem. O
mesmo acontece em variados países do mundo.
Aprender é a base para
o total desenvolvimento humano, social, económico e democrático. À medida que o
desenvolvimento do mundo aumenta drasticamente, a necessidade de preparar as
crianças para serem cidadãos integrais de um mundo em mudança, é também cada
vez maior. Ninguém consegue prever o mundo que as nossas crianças vão herdar. A
melhor preparação para estas, é desenvolver a sua paixão
por aprender e a habilidade de aprender como aprender. A resposta a esta
questão, pode estar exatamente nesta nova era da tecnologia digital. Quando
todas as crianças têm um computador com conexão, elas têm nas suas mãos a chave
para o desenvolvimento completo e participativo. Os limites são apagados, na
medida em que as crianças podem aprender a trabalhar com outras, de todas as
partes do mundo, para ter acesso a conteúdos modernos e de alta qualidade, de
modo a empenharem-se nos seus interesses e desenvolver as suas capacidades. O
que falta às crianças não é habilidade, mas sim oportunidades e recursos. Um exemplo de um projeto que pode ajudar
neste problema, é o realizado pela OLPC – One Laptop per Child (Um Computador
por Criança), uma organização sem fins lucrativos, que tem a missão de
habilitar as crianças mais pobres do mundo a terem uma educação. Posto isto, o
objetivo deste projeto é fornecer a cada criança um computador, para que as
mesmas possam ter uma aprendizagem autónoma e agradável. Com acesso a este tipo
de ferramenta, as crianças estão envolvidas na sua própria educação, onde
juntas aprendem, criam a partilham. Desta maneira elas conectam-se umas com as
outras, ao mundo e a um futuro mais promissor.
As equipas
multidisciplinares da OLPC trabalham de modo a identificar e analisar o
contexto social, económico e educacional para criar um programa adaptado às
necessidades específicas e resultados esperados de cada comunidade. Este
projeto segue 5 princípios básicos, sendo eles: 1. As crianças podem levar os
computadores para casa; 2. É focado na educação precoce, em crianças entre os 6
e os 12 anos de idade; 3. Todas as crianças recebem um computador; 4.
Conectividade; 5. Um programa grátis e de acesso aberto. Nos primeiros anos da
OLPC milhões de crianças aprenderam e começaram a transformar as suas
comunidades. Aproximadamente 2 milhões de crianças e professores na América
Latina fazem parte de projeto OLPC, com outras 500,000 em África e no resto do
mundo. Os maiores parceiros incluem Uruguai, Peru, Argentina, México e o
Ruanda. Outros programas significantes estão a ser iniciados em Gaza,
Afeganistão, Haiti, Etiópia e Mongólia.
Posto isto, podemos concluir
os prós desta nova era da tecnologia. Muitas vezes olhamos para este
desenvolvimento tecnológico como algo que tem vindo a prejudicar a
socialização, especialmente nas crianças, pois hoje em dia muitas das
brincadeiras são provenientes de telemóveis, tablets, etc. No entanto, este
avanço permite uma aprendizagem mais didática nas crianças, quando estes meios
são utilizados num contexto pedagógico. Consideramos que o projeto apresentado
se enquadra na problemática abordada, isto porque, para além de utilizar a tecnologia
através dos computadores, permite a troca de conhecimentos e culturas, estimulando
novas formas de comunicação entre diversos países. O facto deste projeto ser
promovido em países mais desfavorecidos, que conhecem muito pouco sobre o resto
do mundo, permite que as crianças destes mesmos locais possam alargar os seus
horizontes, percebendo que há situações, nas suas comunidades, que podem ser
alteradas para seu beneficio.
Apesar de projetos como
este serem vitais hoje em dia, ainda existem muitos professores sem experiência
no meio tecnológico. É preciso investir em formação e apostar em mais qualidade
e quantidade de recursos tecnológicos nas escolas, mais serviços de apoio e
oferta de materiais didáticos digitais. Acreditamos que se este investimento for
feito, a nível mundial, as crianças enquanto futuros adultos, desenvolverão uma
maior aprendizagem e literacia, que acabará por influenciar a sua participação
no exercício cívico, ou seja, a cidadania.
Bibliografia
Brito, R.
(2010). As TIC em educação pré-escolar portuguesa: atitudes, meios e
práticas de educadores e crianças . Universiadade de Málaga .
Cardim, T., & Mendes, R. (Outubro de 2009).
Recensão Crítica . Setúbal .
Cardoso, S. C. (Outubro de 2011). As redes socais
online, os jovens e a cidadania . ISCTE.
Lopes, P. C. (2015). Literacia mediática e
cidadania: uma relação garantida? Análise social, pp. 546-580.
One Laptop Per Child. (s.d.). Obtido de http://one.laptop.org/
Rego, B. P. (s.d.). Cidadania Digital e Redes
Sociais: A ampliação do horizonte cívico a novos mecanismos de participação
política. Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
UNESCO. (2015). Educação para a cidadania global:
preparando alunos para os desafios do século XXI. Brasília .
Ana Catarina Ferreira
Carla Oliveira
LEB-A
Carla Oliveira
LEB-A

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